sábado, 12 de abril de 2014

A Montanha Mágica


"Adeus, Hans Castorp, filho ingénuo e traquinas da vida! A tua história chegou ao fim. Terminámos a narrativa. Não foi uma história nem longa nem curta, apenas hermética.
(...)


Boa viagem! Agora é viver ou morrer! As perspectivas não são famosas: a dança macabra para a qual te arrastaram durará ainda alguns anos terríveis e não queremos apostar alto na tua sobrevivência. A dizer a verdade, deixamos, sem preocupações de maior, a questão em aberto. Certas aventuras da carne e do espírito, que sublimaram a tua ingenuidade, permitiram-te vencer na esfera do espírito aquilo a que provavelmente sucumbirás na esfera da carne. Momentos houve em que da morte e da luxúria carnal viste germinar, no teu reino premonitório, um sonho de amor. Será que deste festim universal da morte, deste ardor perverso e febril, que incendeia o céu chuvoso e crepuscular, poderá também um dia nascer o amor?”

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