domingo, 27 de setembro de 2020

Poppies in July


Little poppies, little hell flames

Do you do no harm?


You flicker. I cannot touch you.

I put my hands among the flames. Nothing burns.


And it exhausts me to watch you

Flickering like that, wrinkly and clear red, like the skin of a mouth.


A mouth just bloodied.

Little bloody skirts!


There are fumes that I cannot touch.

Where are your opiates, your nauseous capsules?


If I could bleed, or sleep!

If my mouth could marry a hurt like that!


Or your liquors seep to me, in this glass capsule,

Dulling and stilling.


But colorless. Colorless.


Sylia Plath

Mulheres, Corpo e Acumulação Original

 



CALIBÃ E A BRUXA, ensaio centrado na transição do feudalismo para o capitalismo e na concomitante caça às bruxas e expansão colonial, descreve-nos uma longa história de exploração e resistência. A partir de uma vasta pesquisa iconográfica e documental, Silvia Federici revela como o despontar do capitalismo exigiu um ataque genocida às mulheres, a aniquilação das revoltas camponesas, o tráfico de escravos e a expropriação de terras e saberes comuns. Uma obra incontornável, dedicada aos corpos rebeldes dos subalalternos – aqui personificados pelas figuras de Calibã e da Bruxa –, cujas vozes continuam a ressoar nos protestos contra a violência original ainda em curso.

Viagens nipónicas de sonho

 







sexta-feira, 28 de agosto de 2020

a melhor definição de artista

 



Um segredo de escultor

«Uma história contemporânea, provavelmente francesa, mostra um escultor que manda vir um grande bloco de pedra e deita mãos ao trabalho.

Uns meses mais tarde termina a escultura de um cavalo.

Uma criança que esteve a vê-lo trabalhar pergunta-lhe então:

 – Como sabias tu que havia um cavalo dentro da pedra? 

sábado, 9 de maio de 2020

Layla, a Nocturna


Holz [madeira, lenha] é um nome antigo para Wald [floresta]. Na floresta [Holz] há caminhos que, o mais das vezes sinuosos, terminam perdendo-se, subitamente, no não-trilhado.
Chamam-se caminhos de floresta [Holzwege].
Cada um segue segue separado, mas na mesma floresta [Wald]. Parece, muitas vezes, que um é igual ao outro. Porém, apenas parece ser assim.
Lenhadores e guardas-florestais conhecem os caminhos. Sabem o que significa estar metido num caminho de floresta.
Martin Heidegger, Caminhos de Floresta

Uma das temáticas centrais da literatura sufi é o amor espiritual entre Deus e o homem. Amor e conhecimento alimentam-se mutuamente, são complementares. Não se trata de um amor humano, carnal, mas sim de uma energia criativa. Como toda a textologia do mundo nos ensina, o indizível, o transcendental, jamais podem ser enunciados directamente; a aproximação ao mistério só se pode fazer pelo caminho da alegoria, pela floresta de símbolos. Para abordar o amor divino, os sufis escolheram então transmutar o vocabulário da antiquíssima poesia erótica árabe. Como a «Essência» divina é uma palavra feminina em árabe, os sufis atribuem sobretudo nomes femininos para evocar o seu amor a Deus. O pronome mais usado é Layla, a Nocturna. Esse nome evoca Deus enquanto ser feminino, ser misterioso, que se vela e revela em simultâneo. O Corão sublinha em várias passagens o facto de o dia penetrar a noite, e vice-versa. Ibn Arabi, filósofo e místico sufi usa o mesmo motivo para compor um símbolo sexual a nível cósmico (a noite fecunda o dia, assim como o céu fecunda a terra, o espírito a alma, Adão a Eva, Deus ao profeta e o profeta a sua mulher). É preciso atravessar a noite. Depois da viagem para Deus, o homem viaja em Deus e essa é uma viagem às escuras, pois não existe mais alto nem baixo, direita ou esquerda, homem ou mulher. A noite é o mistério essencial. Este mesmo motivo, transmitido por místicos judeus espanhóis, terá inspirado a São João da Cruz o tema da «noite escura da alma».
         Tem razão William Burroughs quando afirma THE WORD IS A VIRUS. Somos meros hospedeiros de palavras e ideias que viajam e atravessam as fronteiras do tempo e do espaço, às vezes de dia, por estradas largas e confortáveis, outras vezes de noite, por vielas clandestinas e mãos de contrabandistas. Os homens morrem e são esquecidos; as ideias não conhecem o mesmo destino, conseguem manter-se vivas mesmo se dormentes e agigantam-se a cada nova travessia.
         A contemporaneidade quer impedir esse crecimento vital das ideias, buscando despir as figuras essenciais da vida da sua ambivalência intrínseca. É um projecto com raízes antigas, judaico-cristãs, platónicas: aferrar-se aos binarismos, querer fronteiras que garantam a razão e a segurança, caminhar com o alto e o baixo, a direita e a esquerda. A melancolia, longamente estudada por mais de dois milénios, foi medicalizada como «depressão», e a «noite escura» reduziu-se a uma perda de ânimo da alma, uma crise de fé. Na floresta dos símbolos, importa mais caminhar arqueologicamente, às arrecuas: ir de São João da Cruz aos sufis e remontar a essa antiquíssima poesia erótica árabe e perceber que quem perde o Sul está fazendo amor com um deus nocturno.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

The Love Song of J. Alfred Prufrock


S’io credesse che mia risposta fosse
A persona che mai tornasse al mondo,
Questa fiamma staria senza piu scosse.
Ma percioche giammai di questo fondo
Non torno vivo alcun, s’i’odo il vero,
Senza tema d’infamia ti rispondo.
Let us go then, you and I,
When the evening is spread out against the sky
Like a patient etherized upon a table;
Let us go, through certain half-deserted streets,
The muttering retreats
Of restless nights in one-night cheap hotels
And sawdust restaurants with oyster-shells:
Streets that follow like a tedious argument
Of insidious intent
To lead you to an overwhelming question ...
Oh, do not ask, “What is it?”
Let us go and make our visit.

In the room the women come and go
Talking of Michelangelo.

The yellow fog that rubs its back upon the window-panes,
The yellow smoke that rubs its muzzle on the window-panes,
Licked its tongue into the corners of the evening,
Lingered upon the pools that stand in drains,
Let fall upon its back the soot that falls from chimneys,
Slipped by the terrace, made a sudden leap,
And seeing that it was a soft October night,
Curled once about the house, and fell asleep.

And indeed there will be time
For the yellow smoke that slides along the street,
Rubbing its back upon the window-panes;
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.

In the room the women come and go
Talking of Michelangelo.

And indeed there will be time
To wonder, “Do I dare?” and, “Do I dare?”
Time to turn back and descend the stair,
With a bald spot in the middle of my hair —
(They will say: “How his hair is growing thin!”)
My morning coat, my collar mounting firmly to the chin,
My necktie rich and modest, but asserted by a simple pin —
(They will say: “But how his arms and legs are thin!”)
Do I dare
Disturb the universe?
In a minute there is time
For decisions and revisions which a minute will reverse.

For I have known them all already, known them all:
Have known the evenings, mornings, afternoons,
I have measured out my life with coffee spoons;
I know the voices dying with a dying fall
Beneath the music from a farther room.
               So how should I presume?

And I have known the eyes already, known them all—
The eyes that fix you in a formulated phrase,
And when I am formulated, sprawling on a pin,
When I am pinned and wriggling on the wall,
Then how should I begin
To spit out all the butt-ends of my days and ways?
               And how should I presume?

And I have known the arms already, known them all—
Arms that are braceleted and white and bare
(But in the lamplight, downed with light brown hair!)
Is it perfume from a dress
That makes me so digress?
Arms that lie along a table, or wrap about a shawl.
               And should I then presume?
               And how should I begin?

Shall I say, I have gone at dusk through narrow streets
And watched the smoke that rises from the pipes
Of lonely men in shirt-sleeves, leaning out of windows? ...

I should have been a pair of ragged claws
Scuttling across the floors of silent seas.

And the afternoon, the evening, sleeps so peacefully!
Smoothed by long fingers,
Asleep ... tired ... or it malingers,
Stretched on the floor, here beside you and me.
Should I, after tea and cakes and ices,
Have the strength to force the moment to its crisis?
But though I have wept and fasted, wept and prayed,
Though I have seen my head (grown slightly bald) brought in upon a platter,
I am no prophet — and here’s no great matter;
I have seen the moment of my greatness flicker,
And I have seen the eternal Footman hold my coat, and snicker,
And in short, I was afraid.

And would it have been worth it, after all,
After the cups, the marmalade, the tea,
Among the porcelain, among some talk of you and me,
Would it have been worth while,
To have bitten off the matter with a smile,
To have squeezed the universe into a ball
To roll it towards some overwhelming question,
To say: “I am Lazarus, come from the dead,
Come back to tell you all, I shall tell you all”—
If one, settling a pillow by her head
               Should say: “That is not what I meant at all;
               That is not it, at all.”

And would it have been worth it, after all,
Would it have been worth while,
After the sunsets and the dooryards and the sprinkled streets,
After the novels, after the teacups, after the skirts that trail along the floor—
And this, and so much more?—
It is impossible to say just what I mean!
But as if a magic lantern threw the nerves in patterns on a screen:
Would it have been worth while
If one, settling a pillow or throwing off a shawl,
And turning toward the window, should say:
               “That is not it at all,
               That is not what I meant, at all.”

No! I am not Prince Hamlet, nor was meant to be;
Am an attendant lord, one that will do
To swell a progress, start a scene or two,
Advise the prince; no doubt, an easy tool,
Deferential, glad to be of use,
Politic, cautious, and meticulous;
Full of high sentence, but a bit obtuse;
At times, indeed, almost ridiculous—
Almost, at times, the Fool.

I grow old ... I grow old ...
I shall wear the bottoms of my trousers rolled.

Shall I part my hair behind?   Do I dare to eat a peach?
I shall wear white flannel trousers, and walk upon the beach.
I have heard the mermaids singing, each to each.

I do not think that they will sing to me.

I have seen them riding seaward on the waves
Combing the white hair of the waves blown back
When the wind blows the water white and black.
We have lingered in the chambers of the sea
By sea-girls wreathed with seaweed red and brown
Till human voices wake us, and we drown.


T. S. Eliot

segunda-feira, 4 de maio de 2020

stalker



"Let everything that's been planned come true. Let them believe. And let them have a laugh at their passions. Because what they call passion actually is not some emotional energy, but just the friction between their souls and the outside world. And most important, let them believe in themselves. Let them be helpless like children, because weakness is a great thing, and strength is nothing. When a man is just born, he is weak and flexible. When he dies, he is hard and insensitive. When a tree is growing, it's tender and pliant. But when it's dry and hard, it dies. Hardness and strength are death's companions. Pliancy and weakness are expressions of the freshness of being. Because what has hardened will never win."

terça-feira, 28 de abril de 2020

Los anillos fatigados

Hay ganas de volver, de amar, de no ausentarse,
y hay ganas de morir, combatido por dos
aguas encontradas que jamás han de istmarse.
Hay ganas: de un gran beso que amortaje a la Vida,
que acaba en el áfrica de una agonía ardiente,
suicida!
Hay ganas de... no tener ganas. Señor;
a ti yo te señalo. con el dedo deicida:
hay ganas de no haber tenido corazón.
La primavera vuelve, vuelve y se irá. Y Dios,
curvado en tiempo, se repite, y pasa:  pasa:
a cuestas con la espina dorsal del Universo.
Cuando, las sienes tocan su lúgubre tambor...
cuando me duele el sueño grabado en un puñal,
hay ganas de quedarse plantado en este verso!


César Vallejo


Um homem não nasce homem, torna-se homem


O que significa hoje ser-se viril? E o que significava há cem ou mil anos? Estará a virilidade em crise nas sociedades contemporâneas? HISTÓRIA DA VIRILIDADE, organizada em 3 volumes, traça a genealogia da identidade masculina e a sua transformação ao longo dos séculos nas sociedades ocidentais. O segundo volume centra-se no século XIX, período em que o sistema de representações, de valores e normas que constitui a virilidade se impõe com força máxima, sobretudo através da expansão colonial e industrial.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Nostalgia


"Precisamos de encher os olhos e as orelhas daquelas coisas que existem no início de um grande sonho. Todos devem gritar que construiremos uma pirâmide, não importa se não a construirmos! O que importa é alimentar o desejo. Temos que tirar a alma de todas as partes, como se fosse um lençol que cobre o infinito." 💜

quinta-feira, 23 de abril de 2020

O jovem mágico




O jovem mágico das mãos de ouro que a remar não se cansa muito e olha muito depressa (como se fosse de moto) veio hoje ficar a minha casa
Vivia longe
longe já se sabia
tão longe que era absurdo querer determinar
metade campo metade luz
aí era a sua casa o sítio onde era longe
mesmo de olhos
fechados (como ele estava)
e de braços cruzados (como parecia dormir)
o jovem mágico das mãos de ouro
que era todo de empréstimo à minha noite
que falou
por acaso que nem se chamava assim
(segundo também contou) tinha vivido há muito
ele, que estava ali, era um falsário
um fugido de outro basta ver os meus olhos
nada sabemos
de nós a não ser que chegamos
sem uma luz a esconder-nos o rosto
belos e apavorados de estranhos casacos vestidos
altos de meter medo às aves de longo curso
nem há
noites assim não há encontros
ao longo das enseadas
não há corpos amantes não há luzeiros de astros

sob tanto silêncio tão duradoura treva
e não
me fales nunca eu sou surdo eu não te oiço
eu vou nascer feliz numa cidade futura
eu sei atravessar as fronteiras das coisas
olha para as minhas mãos que te pareço agora?
No entanto
surgiu como simples criança
conseguia sorrir sentar-se verter águas
com as maõs na cintura livre natural
ele que era um fantasma um fugido de outro
um que nem
mesmo se chamava assim
o jovem mágico nu de todos os sítios da Terra

Mário Cesariny

quarta-feira, 22 de abril de 2020

a r b o r



Pássaros soltam os seus gritos, chilreiam, lançam apelos roucos, trinados. As grandes árvores estremecem. A natureza convida-te e ama-te. Mordiscas ervas que logo voltas a cuspir: a paisagem inspira-te pouco, a paz campestre não te emociona, o silêncio dos campos não te excita nem te acalma. Só te fascinam por vezes um insecto, uma pedra, uma folha caída, uma árvore: ficas por vezes horas e horas a olhar para uma árvore, a descrevê-la, a dissecá-la: as raízes, o tronco, os ramos, as folhas, cada folha, cada nervura, de novo cada ramo, e o jogo infinito das formas diferentes que o teu olhar ávido exige ou suscita: rosto, cidade, dédalo ou caminho, brasões e cavalgadas. À medida que a tua percepção se torna mais aguda, mais paciente e mais flexível, a árvore explode e renasce, mil tons de verde, mil folhas idênticas e no entanto diferentes. Parece-te que poderias passar a tua vida diante de uma árvore, sem a esgotar, sem a compreender, porque não tens nada para compreender, só para olhar: afinal, tudo o que podes dizer dessa árvore é que é uma árvore: tudo o que essa árvore pode dizer-te é que é uma árvore, raiz, depois tronco, depois ramos, depois folhas. Não podes esperar dela outra verdade. A árvore não tem nenhuma moral a propor-te, nenhuma mensagem a transmitir-te. A sua força, a sua majestade, a sua vida – se é que ainda esperas extrair algum sentido, alguma coragem, dessas metáforas antigas – nunca passam de imagens, de boas notas, tão inúteis como a paz dos campos, a cobardia da água que dorme, a valentia dos pequenos carreiros que sobem não muito alto mas sem a ajuda de ninguém, o sorriso das colinas onde os cachos de uvas amadurecem ao sol.
É por isso que a árvore te fascina, ou te espanta, ou te repousa, é por causa dessa evidência insuspeitada, insuspeitável, do tronco e dos ramos, das folhas. É por isso, talvez, que nunca vais passear com um cão, porque o cão olha para ti, suplica-te, fala-te. Os seus olhos húmidos de reconhecimento, os seus ares de cão maltratado, as suas cabriolas de cão feliz, obrigam-te constantemente a conferir-lhe o ignóbil estatuto de animal doméstico. Não podes manter-te neutro diante de um cão, como não podes manter-te neutro diante de um homem. Mas nunca dialogarás com uma árvore. Não podes viver diante de um cão porque o cão, a cada instante, pedir-te-á para o fazeres viver, o alimentares, o elogiares, seres homem para ele, seres o seu dono, seres o deus que troveja esse nome de cão que o fará deitar-se logo no chão. Mas a árvore nada te pede. Podes ser Deus dos cães, Deus dos gatos, Deus dos pobres, basta que tenhas uma coleira, um pouco de bofe, alguma fortuna, mas nunca serás dono de uma árvore. Nunca poderás fazer mais do que desejar transformar-te em árvore.

Georges Perec, Um homem que dorme

oh dambala...

Est-ce que vous m'aimez?

terça-feira, 21 de abril de 2020

Os amantes petrificados


CUARTETO DE POMPEYA


En Pompeya, entre otros cuerpos petrificados por las lavas y cenizas de la erúpcion del Vesubio (año 79), se conservan los de un hombre y una mujer en el acto amoroso.


I

Nos desnudamos tanto
hasta perder el sexo
debajo de la cama,

nos desnudamos tanto
que las moscas juraban
que habíamos muerto.

Te desnudé por dentro,
te desquicié tan hondo
que se extravió mi orgasmo.

Nos desnudamos tanto
que olíamos a quemado,
que cien vezes la lava
volvió para escondernos.

II

Me hiciste tanto daño
con tu boca, tus dedos,
me hacías saltar tan alto

que yo era tu estandarte
aunque no hubiera viento.
Me desnudaste tanto

que pronuncie mi nombre
y me dolió la lengua,
los años me dolieron.

Nos desnudamos tanto
que los dioses temblaron,
que cien vezes mandaron
las lavas a escondernos.

III

Te frotabas tan rápido
los senos que dos veces
caí en sus remolinos,

movías el culo lento,
en alto, para arrearme
a su negra emboscada,

su mediodía perenne.
Abrías tanto su historia,
gritaba su naufragio...

Nos desnudamos tanto
que no nos conocíamos
que los dioses mandaron
la lava a reiventarnos.

IV

Te desmentí de cabo
a rabo devolviéndote
a tus primeros actos,

te escudriñe profundo
hasta escuchar la historia
amarga de tu cuerpo,

pues sólo el amor sabe
cómo llegar tan hondo
sin molestar la sangre.

Esa noche la lava
mudó el paisaje en piedra.
Tú y yo fuimos lo único
que se murió de veras.


Fabio Morabito

Sinais de Cena 4


Revista de Estudos de Teatro e Artes Performativas, Série II Número 4
A revista Sinais de Cena ocupa uma posição de destaque entre as publicações especializadas em teatro e artes performativas em Portugal. Fundada em 2004, inaugurou, em 2016, uma segunda série, sob a chancela das edições Orfeu Negro, adquirindo peridiocidade anual e uma distribuição mais ampla.
O número quatro (Janeiro 2020) é dedicado ao tema «A Prática como Investigação», com a participação de vários autores nacionais e internacionais que se têm dedicado a questões relacionadas com a investigação académica e as práticas artísticas. Para além dos vários ensaios, críticas de teatro e recensões a obras de e sobre teatro, neste número destaca-se uma longa entrevista ao actor e encenador Pedro Gil e um portefólio dedicado ao histórico fotógrafo de teatro José Marques.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Charlotte Salomon: Leben oder Theater?







o design invisível


A Força da Forma problematiza a identidade do design português e as suas múltiplas intersecções com outros formatos sociais e institucionais. Numa reflexão crítica sobre a contaminação das formas gráficas pelos regimes políticos, o mercado e a tecnologia, Mário Moura revela como o discurso do design nunca é puramente visual. Desenvolvidas a partir da exposição homónima no âmbito da Porto Design Biennale 2019, as crónicas historiográficas apresentadas traçam um percurso amplo, por vezes inesperado, desde as práticas do design no Estado Novo ao diálogo com a arquitectura e a banda desenhada.