domingo, 25 de abril de 2021

Agnès Varda



 

This Be the Verse

 They fuck you up, your mum and dad.   

    They may not mean to, but they do.   
They fill you with the faults they had
    And add some extra, just for you.

But they were fucked up in their turn
    By fools in old-style hats and coats,   
Who half the time were soppy-stern
    And half at one another’s throats.

Man hands on misery to man.
    It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
    And don’t have any kids yourself.

Philip Larkin

domingo, 18 de abril de 2021

The Witch (2015): Happy End

Juan Rulfo




"Romance misterioso, místico, sussurrante, murmurante, que muge e mudo, PEDRO PÁRAMO concentra assim todas as sonoridades mortas do mito. Mito e morte: estes são os dois «emes» que coroam todos os outros antes de coroarem o próprio nome do México: romance mexicano essencial, insuperado e insuperável, PEDRO PÁRAMO resume-se no espectro do nosso país: um murmúrio de pó do outro lado do rio da morte.

(...)

Rulfo, como Job no sonho da tumba, escreve um romance poemático no qual não cabe fazer a distinção entre hypnos e thanatos, entre o sonho e a morte. A educação de Juan Preciado, que não é uma educação sentimental nem um Bildungsroman, mas sim um Totensroman, um romance para a morte e um Angsttraum, um sonho para o medo, consistiu em viajar até à origem para chegar ao pai e descobrir que o pai é história e a história é injusta e que o pai, o chefe, o conquistador, deve morrer para ingressar no eterno presente, que é a morte."

Carlos Fuentes

Li PEDRO PÁRAMO há uns anos. Era Verão - a estação que melhor casa com a morte, segundo De Quincey - e eu passava alguns dias em Alter do Chão, terra de cavalos e um pequeno castelo. No centro da vila, de dia ou de noite, muito raramente se avistava vivalma; de maneira que, curiosamente, no meu espírito também se criou uma colusão simbólica e sempre que penso em Comala, a primeira imagem que me vem é a dessa vila alentejana.

É um livro difícil e árido, uma descida aos infernos. Lê-se como quem sonha um pesadelo ou como quem atravessa um deserto delirante, sem réstia de água ou esperança. A mensagem subconsciente que nos traz é tanto metafísica como política (a mãe é essa terra colonizada, massacrada, essa madre ofendida que está tão presente no calão da América Latina). E sei que se trata de um livro fundador para o realismo mágico que tanto aprecio, mas não posso dizer que tenha entrado no meu panteão. Mais tarde, vim a comprar na Cidade do México a antologia EL LLANO EN LLAMAS e posso dizer que prefiro o Rulfo contista.  Digo-o com pena pois sei que há em PEDRO PÁRAMO um arquétipo poderoso com o qual me poderia relacionar mas falhei o encontro. Culpa dos banhos e festas de aldeia?

sábado, 10 de abril de 2021

Yo soy mi propia casa


 I

Casa redonda tenía
de redonda soledad: 
el aire que la invadía
era redonda armonía
de irrespirable ansiedad.

Las mañanas eran noches,
las noches desvanecidas,
las penas muy bien logradas,
las dichas muy mal vividas.

Y de ese ambiente redondo,
redondo por negativo,
mi corazón salió herido
y mi conciencia turbada.
Un recuerdo mantenido:
redonda, redonda nada.

II
Escaleras sin peldaños
mis penas son para mí,
cadenas de desengaños,
tributos que al mundo dí.

Tienen diferente forma
y diferente matiz,
pero unidas por los años,
mis penas, o mis engaños,
como sucesión de daños,
son escaleras en mí.

III
De mi esférica idea de las cosas,
parten mis inquietudes y mis males,
pues geométricamente, pienso iguales
lo grande y lo pequeño, porque siendo,
son de igual importancia; que existiendo,
sus tamaños no tienen proporciones,
pues no se miden por sus dimensiones
y sólo cuentan, porque son totales,
aunque esféricamente desiguales.

IV
Me estoy volcando hacia fuera
y ahogándome estoy por dentro.
El mundo es sólo una esfera,
y es al mundo al que pidiera
totalidad, que no encuentro.

Totalidad que debiera
yo, en mí misma, realizar,
a fuerza de eliminar
tanta pasión lastimera;
de modo que se extinguiera
mi creciente vanidad
y de este modo pudiera
dar a mi alma saciedad.

V
De mi barroco cerebro,
el alma destila intacta;
en cambio mi cuerpo pacta
venganzas contra los dos.

Todo mi sér en pos
de un final que no realiza;
mas ya mi alma se desliza
y a los dos ya los libera,
presintiéndoles ribera
de total penetración

VI
Yo soy cóncava y convexa;
dos medios mundos a un tiempo:
el turbio que muestro afuera,
y el mío que llevo dentro.
Son mis dos curvas-mitades
tan auténticas en mí,
que a honduras y liviandades
toda mi esencia les dí.

Y en forma tal conviví
con negro y blanco extremosos,
que a un mismo tiempo aprendí
infierno y cielo tortuosos.

Pita Amor

domingo, 15 de novembro de 2020

MOCKY - BIRDS OF A FEATHER

os quarenta e nove degraus

 


É um daqueles livros tão preciosos que tudo o que se disser para o descrever fica aquém. Roberto Calasso é, juntamente, com Giorgio Agamben e Pietro Citati (todos eles italianos, por um qualquer acaso ou não) um dos literatos vivos (na verdadeira acepção da palavra e não na sua versão hipster, infelizmente tão disseminada mediaticamente) cuja erudição mais admiro.

49 DEGRAUS reúne vários ensaios de Calasso e a edição portuguesa da Cotovia reúne apenas 11 dos 37 ensaios da publicação original, ou seja, uma pequena amostra, ainda assim deliciosa. Estes ensaios versam sobre vários tópicos, desde Roberto Bazlen, Adorno, Karl Krauss, Musil, Homero, Flaubert, Simone Weil, Stendhal, Brecht, Freud, Céline e, claro está, Walter Benjamin. Aliás, o ensaio homónimo é dedicado a esse autor e à teoria talmúdica dos 49 degraus de significado de cada passagem da Torá. E creio que, referindo-se a Benjamin, Calasso nos fala dele e do caminho autêntico do literato: «renunciar, com hipócrita modéstia, ao texto sagrado, mas ao mesmo tempo tratar qualquer outro texto que seja objecto de comentário com a mesma devoção e meticulosidade que o texto sagrado tradicionalmente exige.» A prosa elegante e a desenvoltura hermenêutica com que Calasso versa sobre vários autores e topos da cultura provam-no: um literato deverá antes de mais ser um exegeta, ou não será.

O meu exemplar custou-me 2 euros na Feira do Livro de Lisboa de 2009 e, raios me partam, se não foi uma pechincha!

DERVICHE KHAN - Fragmento del film EL JARDÍN DE PIEDRA (1976)

domingo, 8 de novembro de 2020

heureux comme une femme


SENSAÇÃO


Pelas tardes azuis de Estio, irei pelos trilhos,

Picado pelas espigas, calcar a erva miúda:

Sonhador, sentirei o frescor que os pés pisam.

Virá banhar o vento a minha fronte nua.


Irei sem dizer nada, sem pensar em nada:

Mas o amor infinito subirá no meu ser,

– Boémio, pela Natureza, de bem longa jornada,

Feliz, como se fosse comigo uma mulher.


SENSATION


Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,

Picotés par les blés, fouler l'herbe menue:

Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.

Je laisserai le vent baigner ma tête nue.


Je ne parlerai pas, je ne penserai rien:

Mais l'amour infini me montera dans l'âme,

Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,

Par la Nature,  heureux comme avec une femme.


Arthur Rimbaud

Il Sorpasso (1962)

Melancolia de Chopin


¡Mentira! Eran mentiras su resignación y su serenidad; quería amor, sí, amor, y viajes y locuras, y amor, amor…

—Pero Brígida ¿por qué te vas? ¿por qué te quedabas? —había preguntado Luis.

Ahora habría sabido contestarle:

—¡El árbol, Luis, el árbol! Han derribado el gomero.


María Luisa Bombal, El árbol (1939)


Os arrebatamentos de Bernini




 

«Longa é a noite, señor. Longa, sombria e fria.»

 


Venho aqui chamar a vossa atenção para um livro precioso publicado em Dezembro de 2014 e que parece ter passado despercebido: O VISITANTE DA NOITE & OUTROS CONTOS, de B. Traven.

«Disse-se de B. Traven que seria Jack London, Ambrose Bierce ou Arthur Cravan. Somente em 1969, quando as suas cinzas repousaram num rio em Chiapas, foi identificado como Ret Marut, uma revolucionário alemão que se fixara no México em 1924. Autor d’O Barco dos Mortos (1926) e d’O Tesouro da Sierra Madre (1927) – adaptado ao cinema por John Huston –, pertence a uma linhagem de aventureiros e contistas natos, cuja geografia de vida é tão insondável como as paragens que elegem. Traven publicou folhetins em jornais alemães e, depois de ter tecido críticas virulentas ao militarismo germânico, entrou na clandestinidade em 1919. Reemergiu em Londres, em 1923, e, na iminência de ser deportado para a Alemanha e fuzilado, embarcou para o México. Neste país, ao panfletário Ret Marut, sucederia, em definitivo, o escritor B. Traven, ao lado dos oprimidos, apontando a via da esperança e da libertação e arquitectando o seu anonimato tão ciosamente como os seus livros.»

Para além de uma breve nota sobre o autor, esta edição apresenta uma selecção de 11 contos de B. Traven. São todos muito bons, imbuídos do imaginário e folclore desse México simultaneamente festivo e sombrio, dócil e violento, que para além de um país se constitui também como um território vital da alma. Gostei particularmente do conto que intitula a antologia – O VISTANTE DA NOITE – bem como de «Chamada Nocturna», «Macario», «Amizade» e «A História de Uma Bomba» e, acima de todos, «Linha de Montagem», o melhor conto alguma vez escrito sobre o capitalismo e a sua potência destruidora do anímico.

Ide ler, amigos, é um livro do caralho!

sábado, 31 de outubro de 2020

Uma delícia: para miúdos e graúdos

 






https://revistadoispontos.pt/

A un poeta

 

Nada más triste que un titán que llora,

Hombre-montaña encadenado a un lirio,

Que gime fuerte, que pujante implora:

Víctima propia en su fatal martirio.


Hércules loco que a los pies de Onfalia

La clava deja y el luchar rehúsa,

Héroe que calza femenil sandalia,

Vate que olvida a la vibrante musa.


¡Quién desquijara los robustos leones,

Hilando esclavo con la débil rueca;

Sin labor, sin empuje, sin acciones;

¡Puños de fierro y áspera muñeca!


No es tal poeta para hollar alfombras

Por donde triunfan femeniles danzas:

Que vibre rayos para herir las sombras,

Que escriba versos que parezcan lanzas.


Relampagueando la soberbia estrofa,

Su surco deje de esplendente lumbre,

Y el pantano de escándalo y de mofa

Que no lo vea el águila en su cumbre.


Bravo soldado con su casco de oro

Lance el dardo que quema y que desgarra,

Que embiste rudo como embiste el toro,

Que clave firme, como el león, la garra.


Cante valiente y al cantar trabaje;

Que ofrezca robles si se juzga monte;

Que su idea, en el mal rompa y desgaje

Como en la selva virgen el bisonte.


Que lo que diga la inspirada boca

Suene en el pueblo con palabra extraña;

Ruido de oleaje al azotar la roca,

Voz de caverna y soplo de montaña.


Deje Sansón de Dalila el regazo:

Dalila engaña y corta los cabellos.

No pierda el fuerte el rayo de su brazo

Por ser esclavo de unos ojos bellos.


Rúben Darío

exercícios de respiração



O livro de Thóth

 HERMANDAD


Soy hombre: duro poco

y es enorme la noche.

Pero miro hacia arriba:

las estrellas escriben.

Sin entender comprendo:

también soy escritura

y en este mismo instante

alguien me deletrea.


Octavio Paz

magic mandrake

 


And this I dreamt, and this I dream

And this I dreamt, and this I dream,
And some time this I will dream again,
And all will be repeated, all be re-embodied,
You will dream everything I have seen in dream.

To one side from ourselves, to one side from the world
Wave follows wave to break on the shore,
On each wave is a star, a person, a bird,
Dreams, reality, death - on wave after wave.

No need for a date: I was, I am, and I will be,
Life is a wonder of wonders, and to wonder
I dedicate myself, on my knees, like an orphan,
Alone - among mirrors - fenced in by reflections:
Cities and seas, iridescent, intensified.
A mother in tears takes a child on her lap.


Arseny Tarkovsky

sábado, 24 de outubro de 2020

I will wade out

 i will wade out

                        till my thighs are steeped in burning flowers

I will take the sun in my mouth

and leap into the ripe air

                                       Alive

                                                 with closed eyes

to dash against darkness

                                       in the sleeping curves of my body

Shall enter fingers of smooth mastery

with chasteness of sea-girls

                                            Will i complete the mystery

                                            of my flesh

I will rise

               After a thousand years

lipping

flowers

             And set my teeth in the silver of the moon


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vou vau afora

até encharcar as coxas em flores de fogo

vou sentir o sol na minha boca

e saltar no ar maduro

Vivo

com olhos oclusos

pra chocar contra o escuro

nas sonolentas curvas do meu corpo

Entrarão dedos de maestria macia

com castidade de sereias

Vou eu completar o mistério

da minha carne

Vou despontar

Depois uns mil anos

beiçando

flores

E pregar meus dentes na prata da lua


E.E. Cummings

As casas, esses seres montruosos

 "No sólo he imaginado eso juegos, también he meditado sobre la casa. Todas las partes de la casa están muchas veces, cualquier lugar es otro lugar. No hay un aljibe, un patio, un abrevadero, un pesebre; son catorce [son infinitos] los pesebres, abrevaderos, patios, aljibes, la casa es del tamaño del mundo; mejor dicho, es el mundo. Sin embargo, a fuerza de fatigar patios con un aljibe y polvorientas galerías de piedra gris, he alcanzado la calle y he visto el templo de las Hachas y el mar. Eso no lo entendí hasta que una visión de la noche me reveló que también son catorce [son infinitos] los mares y los templos. Todo está muchas veces, catorce veces, pero dos cosas hay en el mundo que parecen estar una sola vez: arriba, el intrincado sol; abajo, Asterión. Quizá yo he creado las estrellas y el sol y la enorme casa, pero ya no me acuerdo."

Jorge Luis Borges, La casa de Asterión


As casas, sempre as casas…

As casas são seres obsessivos, feitas de pedra teimosa cuja orgulhosa memória nenhum arquitecto consegue redimir.

Naqueles tempos estranhos e difíceis, as casas estavam mais vivas que os seus habitantes. Tornaram-se excessivas. Desvinculadas da economia humana, ramificavam-se, cresciam desordenadamente e ninguém beneficiava da amplitude das suas florescências labirínticas. Ninguém, a não ser os fantasmas e as bibliotecas. Uma pessoa podia ir dormir e acordar junto à abóbada celeste, apartada do resto da comunidade humana que se disseminava pelas casas festejando o facto destas terem finalmente tomado para si o papel principal nos seus destinos. Lá em cima, no tecto do mundo, infelizmente não restava mais caminho para o humano: incapaz de erguer a cabeça, este era obrigado a retroceder, a perder a verticalidade a tão duras expensas conquistada. A pedra animada vergava finalmente a vã ambição de um animal que se sonhara intensamente a si próprio e que agora soçobrava pela ironia do cimento.

Não obstante o amor continuava e as escadas eram reservadas para os amantes. Sempre que alguém se apaixonava, as casas pariam escadas e a geometria dos seus novelos despropositados era em si o próprio Amor. Os amantes passavam as horas – já não havia dia nem noite, o ar tornara-se líquido – vagabundando acima e abaixo, com os olhos virados para dentro. Uns subiam sem dificuldade, outros desciam sem medo. Moviam-se como autómatos, pálidos, brancos como a cal das casas, e etéreos. E esse vaivém constante e silencioso fazia com que o sangue tornasse a circular no interior das veias dos mortos.

A criança olhava a desordem das casas e permitia-se enlouquecer. Entendia o último dos interditos – as casas são eróticas, não há nada mais erótico do que uma casa – e não podia senão enlouquecer. Depois aparecia alguém vindo de um passado distante, talvez do tempo das perseguições dos romanos, e este começava a sorver os cabelos da criança. Esta olhava-o, com os seus cabelos na boca, transbordando como um mar de estrelas, e sentia um nojo profundo. Queixava-se à sua mãe. Porque as crianças se queixam sempre às suas mães, mesmo quando já não são crianças ou não têm mãe.

As casas, essas, continuavam a expandir-se, megalómanas no desenho de si mesmas e indiferentes a todo o sofrimento que lhes fosse externo.


O horror e a graça de andarmos todos ligados

 


Este foi um dos livros que mais prazer me trouxe em 2018. AS ROTAS DA SEDA conta-nos como, através das rotas comerciais da seda, que ligavam o Ocidente ao Oriente, se trocaram também línguas, ideias, doenças, as religiões do mundo – ou seja, como a infecção desse grande movimento de globalização é mais remota do que se pode pensar. Através da enorme erudição de Peter Frankopan e da sua visão alternativa da história, recebemos várias lições de humildade: a primeira, será a de que essa velha Europa, só nos últimos séculos se tornou um agente representativo da mesma história, tendo o seu papel sido nulo durante tempos mais remotos; e a maior de todas, será perceber que os conceitos com que ainda hoje laboramos – tais como os de nação, povo, raça – são extremamente artificiais. Entre muitos detalhes – como, por exemplo, descobrimos que a palavra «escravo» se relaciona na sua origem com a palavra «eslavo», pois o «império árabe» (chamemo-lo assim, para abreviar) preferia escravos louros dessa região; ou saber que chamamos «russos» aos povos que vivem na Rússia, por estes serem ruivos vikings que extinguiram os povos indígenas dessa zona geográfica – chegamos à conclusão que o que constitui toda a civilização humana é a violência perpétua de uns contra outros. A ser assim, complexifica-se e muito a questão da indemnização histórica – sendo cada «nação» formada a partir de múltiplos sacrifícios e extermínios, não existe pureza de raça nem uma genealogia pura que permita isolar os vencidos dos vencedores – pois todos os que restam são vencedores e como tal culpados ao mais alto grau.

Em suma, é um livro de história – uma história mais longa do que essa versão amputada que a modernidade capitalista tratou de reescrever – mas lê-se como uma poema épico sobre a humanidade e a sua violência inerente e estrutural, que atravessa todos os povos, raças e credos, de forma muitas vezes aleatória.