sábado, 11 de janeiro de 2020

La pasión de la brasa compasiva

BLANCO

el comienzo
                   el cimiento
la simiente
                        latente
la palabra en la punta de la lengua
inaudita                                inaudible
                       impar
grávida                                         nula
                      sin edad
la enterrada con  los ojos  abiertos
inocente                      promiscua
                    la palabra
  sin nombre                 sin habla
 
                   Sube y baja,
                   escalera de escapulario,
                   el lenguaje deshabitado.
                   Bajo la piel de la penumbra
                   late una lámpara.
                                                Superviviente
                   entre las confusiones taciturnas,
                                                                              asciende
                   en un tallo de cobre
                                                      resuelto
                   en un follaje de claridad:
                                                                amparo
                   de caídas realidades.
                                                       O dormido
                   o extinto,
                                  alto en su vara
                   (cabeza en una pica),
                                                         un girasol
                   ya luz carbonizada
                                                      sobre un vaso
                   de sombra.
                                        En la palma de una mano
                   ficticia,
                                                   flor
                   ni vista ni pensada:
                                                       oída,
                   aparece
                                  amarillo
                   cáliz de consonantes y vocales
                   incendiadas.
 
 
en el muro la sombra del fuego   llama rodeada de leones
en el fuego tu sombra y la mía     leona en el circo de las llamas
                                                           ánima entre las sensaciones
el fuego te desata y te anuda
Pan Grial Ascua                               frutos de luces de bengala
                         Muchacha               los sentidos se abren
tú ríes—desnuda                             en la noche magnética
en los jardines de la llama
                           La pasión de la brasa compasiva

Octavio Paz

vermelho



«É este o paradoxo do vermelho, que já não é a nossa cor preferida, que se torna cada vez mais discreto no nosso quotidiano, que em muitos campos é ultrapassado pelo azul, talvez mesmo pelo verde, mas que continua a ser simbolicamente o mais forte. Estranho destino para uma cor vinda de tão longe e tão carregada de sentidos, de lendas e de sonhos!»

Nenhuma cor se compara ao vermelho; é a cor arquetípica, a primeira a ser dominada e reproduzida pela humanidade em pinturas parietais e adornos corporais. Vinculado ao fogo e ao sangue desde épocas remotas, o vermelho desdobra-se num labirinto cromático particularmente fecundo e ambivalente: cor do Graal e do amor nos romances de cavalaria, cor do Capuchinho Vermelho, será também a cor dos proscritos, das forças do mal, indiciando perigos e interdições. Marginalizado por Newton e renegado pela Reforma protestante, o vermelho perde o seu estatuto de primeira cor e torna-se demasiado vistoso, e até imoral. Permanecerá, no entanto, como a cor do erotismo, da alegria e da revolução.

lonely universe

Dos ofícios extintos e dos cultos que interessam verdadeiramente




No Epiro, no Nordeste da Grécia, crescia o carvalho sagrado de Dodona, através do qual se exprimia a voz de Zeus. É por intermédio de Pausânias, que cita um texto do século ii a.c., que ficamos a conhecer o ritual observado em redor do famoso carvalho de Dodona, mencionado por Sófocles e Platão: «Em Dodona, havia um carvalho consagrado a Zeus, e nesse carvalho havia um oráculo de que as mulheres eram profetisas. Os consulentes aproximavam-se do carvalho e a árvore agitava-se por uns instantes, e depois as mulheres tomavam a palavra, dizendo: “Zeus, anuncia isto ou aquilo.” Havia sacerdotisas, designadas por Plêiades ou Peristeras, que interpretavam o frémito das folhas. Como a região estava sujeita a violentas tempestades, o rosnar dos trovões e os raios revelavam de forma espectacular a intervenção de Zeus.» A par deste exemplo clássico muito conhecido, pensemos no culto das árvores, presente em todo o lado entre os povos europeus, segundo Frazer. Assim, «os lituanos não foram convertidos ao cristianismo antes de finais do século xiv e, na época da sua conversão, o culto das árvores ocupava entre eles um lugar importante. Uns adoravam carvalhos grandiosos e outros, árvores enormes e frondosas, de que recebiam respostas oraculares.»

Robert Dumas, TRATADO DA ÁRVORE – ENSAIO DE UMA FILOSOFIA OCIDENTAL, Assírio & Alvim, 2007

SANATÓRIO nas escolhas de Pedro Mexia, Joana Emídio Marques e João Pedro Vala para os melhores livros de 2019


https://observador.pt/especiais/dos-populismos-a-distopia-de-margaret-atwood-estes-sao-os-livros-que-mais-gostamos-de-ler-em-2019/

Que 2020 traga muitos livros e magia ♠️ 💜


domingo, 15 de dezembro de 2019

Patrick Watson

Tango del Viudo

Oh maligna, ya habrás hallado la carta, ya habrás llorado de furia,
y habrás insultado el recuerdo de mi madre
llamándola perra podrida y madre de perros,
ya habrás bebido sola, solitaria, el té del atardecer
mirando mis viejos zapatos vacíos para siempre,
y ya no podrás recordar mis enfermedades, mis sueños nocturnos,
mis comidas,
sin maldecirme en voz alta como si estuviera allí aún
quejándome del trópico, de los coolíes corringhis,
de las venenosas fiebres que me hicieron tanto daño
y de los espantosos ingleses que odio todavía.

Maligna, la verdad, qué noche tan grande, qué tierra tan sola!
He llegado otra vez a los dormitorios solitarios,
a almorzar en los restaurantes comida fría, y otra vez
tiro al suelo los pantalones y las camisas,
no hay perchas en mi habitación, ni retratos de nadie en las
paredes.
Cuánta sombra de la que hay en mi alma daría por recobrarte,
y qué amenazadores me parecen los nombres de los meses,
y la palabra invierno qué sonido de tambor lúgubre tiene.

Enterrado junto al cocotero hallarás más tarde
el cuchillo que escondí allí por temor de que me mataras,
y ahora repentinamente quisiera oler su acero de cocina
acostumbrado al peso de tu mano y al brillo de tu pie:
bajo la humedad de la tierra, entre las sordas raíces,
de los lenguajes humanos el pobre sólo sabría tu nombre,
y la espesa tierra no comprende tu nombre
hecho de impenetrables substancias divinas.

Así como me aflige pensar en el claro día de tus piernas
recostadas como detenidas y duras aguas solares,
y la golondrina que durmiendo y volando vive en tus ojos,
y el perro de furia que asilas en el corazón,
así también veo las muertes que están entre nosotros desde ahora,
y respiro en el aire la ceniza y lo destruido,
el largo, solitario espacio que me rodea para siempre.

Daría este viento de mar gigante por tu brusca respiración
oída en largas noches sin mezcla de olvido,
uniéndose a la atmósfera como el látigo a la piel del caballo.
y por oírte orinar, en la oscuridad, en el fondo de la casa,
como vertiendo una miel delgada, trémula, argentina, obstinada,
cuántas veces entregaría este coro de sombras que poseo,
y el ruido de espadas inútiles que se oye en mi alma,
y la paloma de sangre que está solitaria en mi frente
llamando cosas desaparecidas, seres desaparecidos,
substancias extrañamente inseparables y perdidas.

Pablo Neruda

Ceylan

Manifesto Contra-Sexual



Publicado originalmente em 2000, MANIFESTO CONTRA-SEXUAL é já um livro de culto da teoria queer. Incisivo e desafiante, este manifesto convida a repensar as nossas concepções de corpo, género e sexualidade, rejeitando a estrutura heteronormativa do sistema patriarcal e assumindo a plasticidade dos corpos. O dildo, enquanto objecto artificial, anexável e iterável que evade a genitalização do sexo, é a base e o expoente da revolução contra-sexual aqui proposta. Fundindo filosofia com cultura pop e jamais sacrificando a vida em prol da teoria, Preciado desenha novas possibilidades para a experimentação política, sexual, social e artística.

Conxuro

Mouchos, coruxas, sapos e bruxas.
Demos, trasnos e dianhos,
espritos das nevoadas veigas.
Corvos, pintigas e meigas,
feitizos das mencinheiras.
Pobres canhotas furadas,
fogar dos vermes e alimanhas.
Lume das Santas Companhas, mal de ollo,
negros meigallos,
cheiro dos mortos, tronos e raios.
Oubeo do can, pregon da morte,
foucinho do satiro e pe do coello.
Pecadora lingua da mala muller casada cun home vello.
Averno de Satan e Belcebu,
lume dos cadavres ardentes,
corpos mutilados dos indecentes,
peidos dos infernales cus,
muxido da mar embravescida.
Barriga inutil da muller solteira,
falar dos gatos que andan a xaneira,
guedella porra da cabra mal parida.
Con este fol levantarei as chamas
deste lume que asemella ao do inferno,
e fuxiran as bruxas acabalo das sas escobas,
índose bañar na praia das areas gordas.
¡Oide, oide! os ruxidos que dan as que non poden deixar de queimarse no agoardente, quedando asi purificadas.
E cando este brebaxe baixe polas nosas gorxas,
quedaremos libres dos males da nosa ialma e de todo embruxamento.
Forzas do ar, terra, mar e lume, a vos fago esta chamada:
si e verdade que tendes mais poder que a humana xente, eiqui e agora,
facede cos espritos dos amigos que estan fora, participen con nos desta queimada.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

José Watanabe




El lenguado

Soy
lo gris contra lo gris. mi vida
depende de copiar incansablemente
el color de la arena,
pero ese truco sutil
que me permite comer y burlar enemigos
me ha deformado. He perdido la simetría
de los animales bellos, mis ojos
y mis narices
han virado hacia un mismo lado del rostro. soy
un pequeño monstruo invisible
tendido siempre sobre el lecho del mar.
Las breves anchovetas que pasan a mi lado
creen que las devora
una agitación de arena
y los grandes depredadores me rozan sin percibir
mi miedo. El miedo circulará siempre en mi cuerpo
como otra sangre. Mi cuerpo no es mucho. Soy
una palada de órganos enterrados en la arena
y los bordes imperceptibles de mi carne
no están muy lejos.
A veces sueño que me expando
y ondulo como una llanura, sereno y sin miedo, y más grande
que los más grandes. Yo soy entonces
toda la arena, todo el vasto fondo marino.


La boca

En la encañada
había piedras como huesos de un animal prehistórico
que se desbarató
antes de alcanzar nuestro valle.

Un gran cráneo
quedó detenido en la pendiente con la boca abierta
y el resto del cuerpo se dispersó hacia el río.

Yo trepaba la pendiente
y me detenía frente a esa boca, una oquedad
donde el viento se huracanaba,
y escuchaba
murmullos, palabras que se formaban a medias
y luego, sin decir nada, se diluían.

Nunca hubo una frase clara. La boca
como un oráculo piadoso
trababa sus propias frases ante el niño:
lo sé ahora
y le agradezco la vida ciega.


El guardián del hielo

Y coincidimos en el terral
el heladero con su carretilla averiada
y yo
que corría tras los pájaros huidos del fuego
de la zafra.
También coincidió el sol.
En esa situación cómo negarse a un favor llano:
el heladero me pidió cuidar su efímero hielo.
Oh cuidar lo fugaz bajo el sol…
El hielo empezó a derretirse
bajo mi sombra, tan desesperada
como inútil
            Diluyéndose
dibujaba seres esbeltos y primordiales
que sólo un instante tenían firmeza
de cristal de cuarzo
y enseguida eran formas puras
como de montaña o planeta
que se devasta.
No se puede amar lo que tan rápido fuga.
Ama rápido, me dijo el sol.
Y así aprendí, en su ardiente y perverso reino,
a cumplir con la vida:
Yo soy el guardián del hielo.
La piedra alada

EL pelícano, herido, se alejó del mar
y vino a morir
sobre esta breve piedra del desierto.
Buscó,
durante algunos días, una dignidad
para su postura final:
acabó como el bello movimiento congelado
de una danza.

Su carne todavía agónica
empezó a ser devorada por prolijas alimañas, y sus
huesos
blancos y leves
resbalaron y se dispersaron en la arena.
Extrañamente
en el lomo de la piedra persistió una de sus alas,
sus gelatinosos tendones se secaron
y se adhirieron
a la piedra
como si fuera un cuerpo.

Durante varios días
el viento marino
batió inútilmente el ala, batió sin entender
que podemos imaginar un ave, la más bella,
pero no hacerla volar.


La mantis religiosa

Mi mirada cansada retrocedió desde el bosque azulado por el sol
hasta la mantis religiosa que permanecía inmóvil a 50 cm. de mis ojos.
Yo estaba tendido sobre las piedras calientes de la orilla del Chanchamayo
y ella seguía allí, inclinada, las manos contritas,
confiando excesivamente en su imitación de ramita o palito seco.
Quise atraparla, demostrarle que un ojo siempre nos descubre,
pero se desintegró entre mis dedos como una fina y quebradiza cáscara.
Una enciclopedia casual me explica ahora que yo había destruido
a un macho
vacío.
La enciclopedia refiere sin asombro que la historia fue así:
el macho, en su pequeña piedra, cantando y meneándose, llamando
hembra
y la hembra ya estaba aparecida a su lado,
acaso demasiado presta
Y dispuesta.
Duradero es el coito de las mantis.
En el beso
ella desliza una larga lengua tubular hasta el estómago de él
y por la lengua le gotea una saliva cáustica, un ácido,
que va licuándole los órganos
y el tejido del más distante vericueto interno, mientras le hace gozo,
y mientras le hace gozo la lengua lo absorbe, repasando
la extrema gota de sustancia del pie o del seso, y el macho
se continúa así de la suprema esquizofrenia de la cópula
a la muerte.
Y ya viéndolo cáscara, ella vuela, su lengua otra vez lengüita.
Las enciclopedias no conjeturan. Ésta tampoco supone qué última palabra
queda fijada para siempre en la boca abierta y muerta del macho.
Nosotros no debemos negar la posibilidad de una palabra
de agradecimiento.

Objectos de desejo



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Tonada de luna llena



Yo vide una garza mora
Dandole combate a un rio
Asi es como se enamora
Tu corazon con el mio

Luna luna luna llena
Menguante

Anda muchacho a la casa
Y me traes la carabina jiooo
Pa mata este gavilan
Que no me deja gallina

La luna me esta mirando
Yo no se lo que me ve
Yo tengo la ropa limpia
Ayer tarde la lave

Luna luna luna llena
Menguante

Estética do Performativo



As edições Orfeu Negro dão continuidade à publicação de obras de referência na área das artes performativas contemporâneas. Em ESTÉTICA DO PERFORMATIVO, originalmente publicado em 2004, Erika Fischer-Lichte propõe uma nova abordagem estética, apoiando as suas reflexões nas obras de Marina Abramović, Joseph Beuys, Richard Schechner, John Cage e Hermann Nitsch, entre outros artistas. A abolição de fronteiras entre as várias artes a partir dos anos 60 do século XX pode ser definida como uma viragem performativa. Os artistas, ao invés de criarem obras de arte, passam a produzir, cada vez mais, acontecimentos, que envolvem os espectadores e instabilizam as fronteiras entre sujeito/objecto e significante/significado.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

“o amor é seres para mim a faca com que remexo as minhas entranhas”




«Só queria dizer o seguinte: não foi a sua doença que me assustou (tanto mais que estou constantemente a interromper-me a mim próprio, ando às voltas com a memória, reconheço por entre a sua fragilidade uma quase frescura camponesa e chego à conclusão: não, não está doente, é um aviso, mas não é uma doença dos pulmões), não foi isso, portanto, que me assustou, o que me assustou foi pensar no que de certeza antecedeu esse incidente. Estou, para já, a deixar de lado as outras coisa de que fala na sua carta: nem um tostão – chá e maçãs – todos os dias das 2 às 8 – são coisas que não consigo compreender, manifestamente, são mesmo só para se explicar de viva voz. “Não vou, portanto, estar aqui com isso (só na carta, claro, porque não são coisas que se esqueçam) e só penso na explicação que arranjei na altura para a doença no meu caso e se aplica a muitos casos. O que aconteceu foi que o cérebro já não conseguia suportar as preocupações e dores que lhe impunham. Disse: “Desisto; mas se há alguém aqui que se preocupe um pouco com a conservação do conjunto, então que fique com alguma da minha carga e isto vai aguentar-se mais um bocadinho.” Foi então que os pulmões se ofereceram, assim como assim, não tinham muito a perder. Estas negociações entre o cérebro e os pulmões, que ocorreram sem meu conhecimento, foram seguramente terríveis.»

«E quando uma vez me perguntaste como posso ter chamado «bom» ao sábado com esse medo no coração, não é difícil explicar. Como eu te amo (e portanto eu amo-te, sua tola, tal como o mar ama um minúsculo seixo no seu fundo, é exactamente assim que te cubro com o meu amor – e oxalá eu seja também um seixo a teu lado, se o céu o permitir), amo o mundo inteiro, a que pertence também o teu ombro esquerdo, não, primeiro era o ombro direito e, por isso, beijo-o quando isso me dá prazer (e tu tens a amabilidade de despir aí a blusa), o ombro esquerdo está também incluído e o teu rosto sobre mim no bosque e o teu rosto debaixo de mim no bosque e o repousar no teu peito quase desnudado. E por isso tens razão quando dizes que já fomos um único ser, e não tenho nenhum medo disso, pelo contrário, é a minha única felicidade e o meu único orgulho e não o restrinjo de modo nenhum ao bosque.»

domingo, 17 de novembro de 2019

Memórias da Plantação


MEMÓRIAS DA PLANTAÇÃO é uma compilação de episódios quotidianos de racismo, escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Das políticas de espaço e exclusão às políticas do corpo e do cabelo, passando pelos insultos raciais, Grada Kilomba desmonta, de modo acutilante, a normalidade do racismo, expondo a violência e o trauma de se ser colocada/o como Outra/o. Publicado originalmente em inglês, em 2008, MEMÓRIAS DA PLANTAÇÃO tornou-se uma importante contribuição para o discurso académico internacional. Obra interdisciplinar, que combina teoria pós-colonial, estudos da branquitude, psicanálise, estudos de género, feminismo negro e narrativa poética, esta é uma reflexão essencial e inovadora para as práticas descoloniais.

Verão '19: São Pedro do Sul e Alpes Marítimos










Melancolia e Arquitectura


Já vai na 2.ª edição este belíssimo livro. Quem ainda não leu, faça esse favor a si próprio.