quarta-feira, 18 de maio de 2011

IAN CURTIS A ANNIK HONORÉ


Colho um tufo de erva do teu corpo.
Deito-me nele e como-o,
sinto-lhe a humidade que ficou da última noite
quando nos deitámos e rebolámos
e nos cruzámos com insectos
a medirem-nos a respiração das coisas.

Prosto-me sob a sombra do teu peito,
deixo cair dos olhos alguns flocos de neve.

Andamos sempre à procura
de uma noite que não tem dias,
de uma noite sem sinais,
candeeiros que reflictam
a agitação dos mosquitos à queima-roupa.

Andamos como uma letra despovoada
nos silos da ternura, a encostar um sopro
a outro sopro. E nada, absolutamente nada,
nada nos cura desta traição consumada.


Henrique Manuel Bento Fialho, A Dança das Feridas

2 comentários:

Su disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Su disse...

Quando for grande quero ser assim! (penso) Poderia dize-lo até!... Mas apenas penso, porque afinal, já sou grande e não sou de todo assim... Uma semi delirante e por demais sensível, mas de forma cobarde escondo-me dessa vertigem numa armadura rija e de secular metal... Os meus pés, esses sempre na terra: agarram-mos!... Não fujo porque não quero, não fujo porque tenho medo. A segurança, essa está sempre no bolso do meu casaco... Avisa-me, refreia-me e eu obedeço-lhe e respeito-a... mas espreito, espreito sempre, espreito muito... viajo... Sou uma voyeur... Sou a tua voyeur...
Minha Paty, como eu te adoro... O teu ser, a tua singularidade e principalmente o arrepio que me provoca a tua doce loucura...