sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

José Watanabe




El lenguado

Soy
lo gris contra lo gris. mi vida
depende de copiar incansablemente
el color de la arena,
pero ese truco sutil
que me permite comer y burlar enemigos
me ha deformado. He perdido la simetría
de los animales bellos, mis ojos
y mis narices
han virado hacia un mismo lado del rostro. soy
un pequeño monstruo invisible
tendido siempre sobre el lecho del mar.
Las breves anchovetas que pasan a mi lado
creen que las devora
una agitación de arena
y los grandes depredadores me rozan sin percibir
mi miedo. El miedo circulará siempre en mi cuerpo
como otra sangre. Mi cuerpo no es mucho. Soy
una palada de órganos enterrados en la arena
y los bordes imperceptibles de mi carne
no están muy lejos.
A veces sueño que me expando
y ondulo como una llanura, sereno y sin miedo, y más grande
que los más grandes. Yo soy entonces
toda la arena, todo el vasto fondo marino.


La boca

En la encañada
había piedras como huesos de un animal prehistórico
que se desbarató
antes de alcanzar nuestro valle.

Un gran cráneo
quedó detenido en la pendiente con la boca abierta
y el resto del cuerpo se dispersó hacia el río.

Yo trepaba la pendiente
y me detenía frente a esa boca, una oquedad
donde el viento se huracanaba,
y escuchaba
murmullos, palabras que se formaban a medias
y luego, sin decir nada, se diluían.

Nunca hubo una frase clara. La boca
como un oráculo piadoso
trababa sus propias frases ante el niño:
lo sé ahora
y le agradezco la vida ciega.


El guardián del hielo

Y coincidimos en el terral
el heladero con su carretilla averiada
y yo
que corría tras los pájaros huidos del fuego
de la zafra.
También coincidió el sol.
En esa situación cómo negarse a un favor llano:
el heladero me pidió cuidar su efímero hielo.
Oh cuidar lo fugaz bajo el sol…
El hielo empezó a derretirse
bajo mi sombra, tan desesperada
como inútil
            Diluyéndose
dibujaba seres esbeltos y primordiales
que sólo un instante tenían firmeza
de cristal de cuarzo
y enseguida eran formas puras
como de montaña o planeta
que se devasta.
No se puede amar lo que tan rápido fuga.
Ama rápido, me dijo el sol.
Y así aprendí, en su ardiente y perverso reino,
a cumplir con la vida:
Yo soy el guardián del hielo.
La piedra alada

EL pelícano, herido, se alejó del mar
y vino a morir
sobre esta breve piedra del desierto.
Buscó,
durante algunos días, una dignidad
para su postura final:
acabó como el bello movimiento congelado
de una danza.

Su carne todavía agónica
empezó a ser devorada por prolijas alimañas, y sus
huesos
blancos y leves
resbalaron y se dispersaron en la arena.
Extrañamente
en el lomo de la piedra persistió una de sus alas,
sus gelatinosos tendones se secaron
y se adhirieron
a la piedra
como si fuera un cuerpo.

Durante varios días
el viento marino
batió inútilmente el ala, batió sin entender
que podemos imaginar un ave, la más bella,
pero no hacerla volar.


La mantis religiosa

Mi mirada cansada retrocedió desde el bosque azulado por el sol
hasta la mantis religiosa que permanecía inmóvil a 50 cm. de mis ojos.
Yo estaba tendido sobre las piedras calientes de la orilla del Chanchamayo
y ella seguía allí, inclinada, las manos contritas,
confiando excesivamente en su imitación de ramita o palito seco.
Quise atraparla, demostrarle que un ojo siempre nos descubre,
pero se desintegró entre mis dedos como una fina y quebradiza cáscara.
Una enciclopedia casual me explica ahora que yo había destruido
a un macho
vacío.
La enciclopedia refiere sin asombro que la historia fue así:
el macho, en su pequeña piedra, cantando y meneándose, llamando
hembra
y la hembra ya estaba aparecida a su lado,
acaso demasiado presta
Y dispuesta.
Duradero es el coito de las mantis.
En el beso
ella desliza una larga lengua tubular hasta el estómago de él
y por la lengua le gotea una saliva cáustica, un ácido,
que va licuándole los órganos
y el tejido del más distante vericueto interno, mientras le hace gozo,
y mientras le hace gozo la lengua lo absorbe, repasando
la extrema gota de sustancia del pie o del seso, y el macho
se continúa así de la suprema esquizofrenia de la cópula
a la muerte.
Y ya viéndolo cáscara, ella vuela, su lengua otra vez lengüita.
Las enciclopedias no conjeturan. Ésta tampoco supone qué última palabra
queda fijada para siempre en la boca abierta y muerta del macho.
Nosotros no debemos negar la posibilidad de una palabra
de agradecimiento.

Objectos de desejo



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Tonada de luna llena



Yo vide una garza mora
Dandole combate a un rio
Asi es como se enamora
Tu corazon con el mio

Luna luna luna llena
Menguante

Anda muchacho a la casa
Y me traes la carabina jiooo
Pa mata este gavilan
Que no me deja gallina

La luna me esta mirando
Yo no se lo que me ve
Yo tengo la ropa limpia
Ayer tarde la lave

Luna luna luna llena
Menguante

Estética do Performativo



As edições Orfeu Negro dão continuidade à publicação de obras de referência na área das artes performativas contemporâneas. Em ESTÉTICA DO PERFORMATIVO, originalmente publicado em 2004, Erika Fischer-Lichte propõe uma nova abordagem estética, apoiando as suas reflexões nas obras de Marina Abramović, Joseph Beuys, Richard Schechner, John Cage e Hermann Nitsch, entre outros artistas. A abolição de fronteiras entre as várias artes a partir dos anos 60 do século XX pode ser definida como uma viragem performativa. Os artistas, ao invés de criarem obras de arte, passam a produzir, cada vez mais, acontecimentos, que envolvem os espectadores e instabilizam as fronteiras entre sujeito/objecto e significante/significado.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

“o amor é seres para mim a faca com que remexo as minhas entranhas”




«Só queria dizer o seguinte: não foi a sua doença que me assustou (tanto mais que estou constantemente a interromper-me a mim próprio, ando às voltas com a memória, reconheço por entre a sua fragilidade uma quase frescura camponesa e chego à conclusão: não, não está doente, é um aviso, mas não é uma doença dos pulmões), não foi isso, portanto, que me assustou, o que me assustou foi pensar no que de certeza antecedeu esse incidente. Estou, para já, a deixar de lado as outras coisa de que fala na sua carta: nem um tostão – chá e maçãs – todos os dias das 2 às 8 – são coisas que não consigo compreender, manifestamente, são mesmo só para se explicar de viva voz. “Não vou, portanto, estar aqui com isso (só na carta, claro, porque não são coisas que se esqueçam) e só penso na explicação que arranjei na altura para a doença no meu caso e se aplica a muitos casos. O que aconteceu foi que o cérebro já não conseguia suportar as preocupações e dores que lhe impunham. Disse: “Desisto; mas se há alguém aqui que se preocupe um pouco com a conservação do conjunto, então que fique com alguma da minha carga e isto vai aguentar-se mais um bocadinho.” Foi então que os pulmões se ofereceram, assim como assim, não tinham muito a perder. Estas negociações entre o cérebro e os pulmões, que ocorreram sem meu conhecimento, foram seguramente terríveis.»

«E quando uma vez me perguntaste como posso ter chamado «bom» ao sábado com esse medo no coração, não é difícil explicar. Como eu te amo (e portanto eu amo-te, sua tola, tal como o mar ama um minúsculo seixo no seu fundo, é exactamente assim que te cubro com o meu amor – e oxalá eu seja também um seixo a teu lado, se o céu o permitir), amo o mundo inteiro, a que pertence também o teu ombro esquerdo, não, primeiro era o ombro direito e, por isso, beijo-o quando isso me dá prazer (e tu tens a amabilidade de despir aí a blusa), o ombro esquerdo está também incluído e o teu rosto sobre mim no bosque e o teu rosto debaixo de mim no bosque e o repousar no teu peito quase desnudado. E por isso tens razão quando dizes que já fomos um único ser, e não tenho nenhum medo disso, pelo contrário, é a minha única felicidade e o meu único orgulho e não o restrinjo de modo nenhum ao bosque.»

domingo, 17 de novembro de 2019

Memórias da Plantação


MEMÓRIAS DA PLANTAÇÃO é uma compilação de episódios quotidianos de racismo, escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Das políticas de espaço e exclusão às políticas do corpo e do cabelo, passando pelos insultos raciais, Grada Kilomba desmonta, de modo acutilante, a normalidade do racismo, expondo a violência e o trauma de se ser colocada/o como Outra/o. Publicado originalmente em inglês, em 2008, MEMÓRIAS DA PLANTAÇÃO tornou-se uma importante contribuição para o discurso académico internacional. Obra interdisciplinar, que combina teoria pós-colonial, estudos da branquitude, psicanálise, estudos de género, feminismo negro e narrativa poética, esta é uma reflexão essencial e inovadora para as práticas descoloniais.

Verão '19: São Pedro do Sul e Alpes Marítimos










Melancolia e Arquitectura


Já vai na 2.ª edição este belíssimo livro. Quem ainda não leu, faça esse favor a si próprio.

Viva México




“O México é vinte vezes maior do que Portugal. (…)
Esta é pois a história de um país violento e desmesurado. «O mexicano faz amor com a morte», dirá alguém a certa altura, logo no início da viagem. É esse o principal traço de carácter associado à identidade mexicana. Não é por acaso que há caveiras na capa de Viva México.  Parecem rir-se de nós, daqueles de nós que não aprenderam ainda, como os mexicanos, a rir-se delas.
E contudo talvez tudo isto não passe de pura ficção. Não no sentido de a ficção ser o contrário da verdade. Ficção por ser uma memória inventada. Por corresponder ao modo como Jean Cocteau definia o surrealismo: como «mais verdadeiro do que o verdadeiro». Talvez comece aqui o carácter literário de um país que o papa do surrealismo, André Breton, descreveu como o mais surrealista do mundo.”
do prefácio de carlos vaz marques

“Ninguém poderá alguma vez dizer que viu a Cidade do México. Quando a começamos a ver, calamo-nos, e depois nunca mais acabamos de a ver.
(…)
A Cidade do México é isto: a partir de agora somos bichos em alerta.
(…)
Era uma vez uma piñata. As crianças batiam-lhe com paus até caírem caveiras de açucar. Foi o meu primeiro México, numa história de aventuras. Muitos anos depois vi mexicanos. Foi nos Estados Unidos. Havia o cinema, claro, sempre a caminho do Rio Bravo, e Buñuel sempre a atormentar a Europa. Houve a música de Chavela Vargas, arranca-corações. O México Insurrecto e o Debaixo do Vulcão em traduções exasperantes. A Planície em Chamas de Juan Rulfo e A Chama Dupla de Octavio Paz. Os poemas índios de Herberto, Artaud entre os tarahumara. Imagens vagas de Breton, Trotski e Tina Modotti. O México de J. M. G. Le Clézio. Frida Kahlo por Frida Kahlo: «Enorme coluna vertebral que é base para toda a estrutura humana. Já veremos, já aprenderemos. Sempre há coisas novas. Sempre ligadas às antigas vivas.»
(…)
Aqui estou, Frida, sentada em frente ao teu retrato. As coisas novas ligadas às antigas vivas, vamos a isso.
(…)
Mas também foi Fuentes quem lhe chamou «a mulher irrepetível», e eu vejo-a de pescoço alto, com a sua cauda de coisas antigas, em parte aztecas, em parte europeias, a prodigiosa indígena cheia de humor negro decidida a enfrentar los cabrones, uma aparição do Novo Mundo que a cada manhã trazia os mais requintados veludos, bordados e cetins do México, e em cada dedo um anel, e no colo jóias de terracota, e nas orelhas as pequenas caixinhas com pirilampos das camponesas, ela que tinha olhos, todos o disseram, de obsidiana.
(…)
Coyoacán foi o mundo de Frida como o Yorkshire foi o mundo de Emily Brontë. E tal como Emily também Frida cresceu a saber o que poucos aprendem: que o amor é o mais forte instinto de sobrevivência, mais forte do que a fome.
(…)
É uma crença antiga, a de que os deuses marcam os seus.
(…)
Na minha cabeça, a obsidiana é uma propriedade de Herberto Helder. Descobri-a nos textos dele sem saber o que era. Era uma palavra que fazia parte de um mundo. Depois um dia vi obsidiana nos Açores. Esse vidro vulcânico «que se forma quando as lavas incandescentes, a 600 graus, com alto conteúdo de sílica, esfriam rapidamente», como explica agora o painel em Oaxaca. Geralmente é negra, mas «também pode ser avermelhada, cor de café, verde, ou com raios de cores diferentes». A sua transparência, translucidez e brilho «dependem da espessura do fragmento e da luz debaixo da qual o observemos». O conhecimento da obsidiana no México antigo «provém de tempos pré-históricos do povoamento da América, pelo menos desde 10 000 a.C.».
Afiada, corta. Polida, faz de espelho. Nela se miraram imperadores, perscrutando o futuro. Pode servir para tudo e para nada, só a acumular energia séculos fora.
É o que podemos dizer da poesia, quando podemos.
(…)
O México dá vontade de chorar, um choro de séculos em que não percebemos porque choramos, se somos nós que choramos, se não seremos nós já eles. Nunca, em lugar algum, me pareceu que tudo coexiste, tempos e espaços, cimento e natureza, homens e animais, até aceitarmos que o nosso próprio corpo faz parte daquela amálgama acre, ligeiramente ácida, de pele suada com muito chile.
Octavio Paz descreve os mexicanos como o mais solitário dos povos, perpetuamente incapaz de transpor e ser transposto. Por isso, e por tudo e por nada, existe a fiesta. É uma necessidade orgânica, a descarga.
Este Novo Mundo começa no extermínio, e isso há-de significar qualquer coisa. No tempo indígena significa que o extermínio histórico faz parte do presente.
Certa vez, Frida Kahlo descreveu uma imagem a um amigo: «É de dia e de noite, e há um esqueleto (ou morte) que foge espavorido da minha vontade de viver.» Anos depois, pintou Viva la Vida por cima de talhadas de melancia, e essa é a sua última palavra. Afixo-a no frigorífico na noite em que volto.
Vai ser dia no México. Que les vaya bien.

sábado, 2 de novembro de 2019

Filmes do caralho




Sanatório sob o signo da clepsidra


"Viver à custa de metáforas é uma das particularidades da minha existência; deixo-me levar facilmente pela primeira metáfora que aparece."
Sanatório sob o signo da clepsidra, Bruno Schulz.
Edições do Tédio.
Edição ilustrada com desenhos de Ricardo Castro e alguns desenhos originais de Bruno Schulz. Inclui também o ensaio «A Mitificação da Realidade» de Schulz e dois textos críticos sobre a sua obra e desenhos.
Cada exemplar é único. Todas as capas foram impressas manualmente em tipografia de caracteres móveis n´O Homem do Saco, em Lisboa.
Tradução Henryk Siewierski
Adaptação e Revisão: Patrícia Guerreiro Nunes e Ana Lorena Ramalho
Capa mole | 264 pp. | 14 x 20 cm
EAN 9789899971059 | PVP 18€
Encomendas para o email ldantanho@gmail.com
(com oferta de portes de envio para Portugal Continental).

Dos coleccionadores de ninharias

Para Maria Teresa Horta
Uma das tarefas diárias do poeta italiano Tonino Guerra era recortar dos jornais (Tonino diria resgatar) notícias insólitas de que ele seria, porventura, o único interessado; ou, então, colecionar aquelas imagens de mundos desconhecidos que, por vezes, para ocupar inesperados vazios ou por pura desatenção, os editores deixam passar; bem como uma infinidade de pequenos textos sobre camponeses e estrelas cadentes, sobre curiosidades linguísticas e tesouros descobertos em barcos afundados; sobre tradições populares ou a migração silenciosa que algumas espécies animais realizam entre estações. Eram ninharias assim, completamente inúteis e inatuais, que ele juntava com o despropósito de um detetive ocioso, apostado em resolver um quebra-cabeças que sabia, à partida, sem solução. Mas depois, quando nos filmes de Antonioni, Fellini, Tarkovsky, ou Theo Angelopoulos, em que ele colaborou na escrita dos argumentos, vemos vestígios desta sua atividade quotidiana, quedamo-nos maravilhados. Se nos dissessem que ele recolhera aquelas informações dos mesmos cinzentíssimos jornais que folheámos teríamos dificuldade em acreditar. Colocados ali, ganhavam uma intensidade expressiva flagrante, distinta, incrivelmente precisa e íntima.
(excerto da crónica "A mais antiga flor do mundo" de José Tolentino Mendonça, publicada na revista E a 15 de Maio de 2019)

Where is the Life we have lost in living?

The Eagle soars in the summit of Heaven,
The Hunter with his dogs pursues his circuit.
O perpetual revolution of configured stars,
O perpetual recurrence of determined seasons,
O world of spring and autumn, birth and dying!
The endless cycle of idea and action,
Endless invention, endless experiment,
Brings knowledge of motion, but not of stillness;
Knowledge of speech, but not of silence;
Knowledge of words, and ignorance of the Word.
All our knowledge brings us nearer to our ignorance,
All our ignorance brings us nearer to death,
But nearness to death no nearer to God .
Where is the Life we have lost in living?
Where is the wisdom we have lost in knowledge?
Where is the knowledge we have lost in information?
The cycles of Heaven in twenty centuries
Bring us farther from God and nearer to the Dust.(...)

The Rock, T.S. Eliot

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Ronda de los metales

RONDA DE LOS METALES
Dedicada a Martha A. Salotti

Del centro de la tierra

,oyendo la señal,
los Lázaros metales
subimos a danzar.

Estábamos dormidos

y costó despertar
cuando el Señor y Dueño
llamó a su mineral.

¡Halá!, ¡Halá!¡

El Lázaro metal!

Veloz o lento bailan

los osos del metal:
el negro topa al rojo,
el blanco al azafrán.

¡Va -viene y va-

el Lázaro metal!

El cobre es arrebato,

la plata es maternal,
los hierros son Pelayos,
el oro Abderrahmán.

Baila con llamaradas

la gente mineral:
Van y vienen relámpagos
como en la tempestad.

La ronda asusta a ratos

del resplandor que da,
y silva la Anaconda
en Plata y en timbal.

¡Halá!, ¡Halá!¡

El Lázaro metal!

En las pausas del baile

quedamos a escuchar-
niños recién nacidos-
el tumbo de la mar.

Vengan los otros Lázaros

hacia su libertad;
salten las boca-minas
y lleguen a danzar.

¡Ya sube, ya,
el Lázaro metal!

Cuando relumbre toda

la cancha de metal,
la tierra vuelta llama¡
Qué linda va a volar!

Y va a subir los cielos,

en paloma pascual,
como era cuando era
en flor la Eternidad.

¡Ha la la lá!¡

El Lázaro metal!

Gabriela Mistral

Da pulsão cinemática


Lacrimae Rerum reúne um conjunto de ensaios sobre cinema moderno. Numa abordagem às filmografias de Kieslowski, Hitchcock, Tarkovski e Lynch, Žižek decripta as imagens e o cinema de cada um destes autores para nos propor um estudo aprofundado dos seus motivos e movimentos. E colocando-nos face aos nossos próprios medos/desejos, estabelece a ponte final da análise entre o espectador-receptor e a projecção das suas pulsões em imagens tão familiares quanto fabricadas.

¿Quién no tiene su vestido azul?


Altura y pelos

¿Quién no tiene su vestido azul?
¿Quién no almuerza y no toma el tranvía,
con su cigarrillo contratado y su dolor de bolsillo?
¡Yo que tan sólo he nacido!
¡Yo que tan sólo he nacido!

¿Quién no escribe una carta?
¿Quién no habla de un asunto muy importante,
muriendo de costumbre y llorando de oído?
¡Yo que solamente he nacido!
¡Yo que solamente he nacido!

¿Quién no se llama Carlos o cualquier otra cosa?
¿Quién al gato no dice gato gato?
¡Ay, yo que sólo he nacido solamente!
¡Ay!, ¡yo que sólo he nacido solamente!


César Vallejo

cuando todos se vayan



Cuando todos se vayan a otros planetas
yo quedaré en la ciudad abandonada
bebiendo un último vaso de cerveza,
y luego volveré al pueblo donde siempre regreso
como el borracho a la taberna
y el niño a cabalgar
en el balancín roto.
Y en el pueblo no tendré nada que hacer,
sino echarme luciérnagas a los bolsillos
o caminar a orillas de rieles oxidados
o sentarme en el roído mostrador de un almacén
para hablar con antiguos compañeros de escuela.

Como una araña que recorre
los mismos hilos de su red
caminaré sin prisa por las calles
invadidas de malezas
mirando los palomares
que se vienen abajo,
hasta llegar a mi casa
donde me encerraré a escuchar
discos de un cantante de 1930
sin cuidarme jamás de mirar
los caminos infinitos
trazados por los cohetes en el espacio.


Jorge Teillier

Giovanni Segantini



il pleure dans mon coeur



Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville ;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon coeur ?

Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits ! 
Pour un coeur qui s'ennuie,
Ô le chant de la pluie !

Il pleure sans raison
Dans ce coeur qui s'écoeure.
Quoi ! nulle trahison ?...
Ce deuil est sans raison.

C'est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi
Sans amour et sans haine
Mon coeur a tant de peine !

verde


Notoriamente tóxico e quimicamente instável, o verde demorou a conquistar o mundo. Ausente das pinturas no Neolítico e remetido a um papel discreto na Antiguidade, o verde foi durante os séculos seguintes associado a tudo o que é volúvel, desde a juventude e o amor até à sorte e ao destino. Só na época romântica se tornou definitivamente a cor da natureza, o que lhe permitiu conquistar um lugar privilegiado na paleta de cores do Ocidente.

As edições Orfeu Negro prosseguem a publicação da obra do historiador francês Michel Pastoureau, um dos maiores especialistas na simbólica das cores e em heráldica. Depois de PRETO e AZUL, é a vez da cor verde nos contar a sua (e a nossa) multifacetada história, num tom simultaneamente erudito e pleno de curiosidades.

Por gracia de morir todas las noches



Por su pinta poeta de gorrión con gomina,
por su voz que es un gato sobre ocultos platillos,
los enigmas del vino le acarician los ojos
y un dolor le perfuma la solapa y los astros.
Grita el águila taura que se posa en sus dedos
convocando a los hijos en la cresta del sueño:
¡a llorar como el viento, con las lágrimas altas!,
¡a cantar como el pueblo, por milonga y por llanto!
Del brazo de un arcángel y un malandra
se van con sus anteojos de dos charcos,
a ver por quién se afligen las glicinas,
Pichuco de los puentes en silencio.
Por gracia de morir todas las noches
jamás le viene justa muerte alguna,
jamás le quedan flojas las estrellas,
Pichuco de la misa en los mercados.
¿De qué Shakespeare lunfardo se ha escapado este hombre
que un fósforo ha visto la tormenta crecida,
que camina derecho por atriles torcidos,
que organiza glorietas para perros sin luna?
No habrá nunca un porteño tan baqueano del alba,
con sus árboles tristes que se caen de parado.
¿Quién repite esta raza, esta raza de uno,
pero, quién la repite con trabajos y todo?
Por una aristocracia arrabalera,
tan sólo ha sido flaco con él mismo.
También el tiempo es gordo, y no parece,
Pichuco de las manos como patios.
Y ahora que las aguas van más calmas
y adentro de su fueye cantan pibes,
recuerde y sueñe y viva, gordo lindo,
amado por nosotros. Por nosotros.