A Arte da Queda




O poema ensina a cair


sobre os vários solos


desde perder o chão repentino sob os pés


como se perde os sentidos numa


queda de amor, ao encontro


do cabo onde a terra abate e


a fecunda ausência excede


até à queda vinda


da lenta volúpia de cair,


quando a face atinge o solo


numa curva delgada subtil


uma vénia a ninguém de especial


ou especialmente a nós uma homenagem


póstuma.




Luísa Neto Jorge

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Acerca de mim

A minha fotografia
FLAUBERT Excelentíssima madame, eis que primeiro vou descrever o seu esplendoroso vestido e logo a seguir, sim, a despirei com toda a ansiedade possível. Belo programa, meu bom senhor. Mas essa primeira parte, não poderá saltar-se? Excelentíssima madame, eu sou um escritor, não sou um fornicador. Oh, meu bom senhor, que pena. Gonçalo M. Tavares, in "Biblioteca" campo das letras, 2004

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