O espírito




Nada a fazer, amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;


E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.


Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:


Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.




Natália Correia

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Acerca de mim

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FLAUBERT Excelentíssima madame, eis que primeiro vou descrever o seu esplendoroso vestido e logo a seguir, sim, a despirei com toda a ansiedade possível. Belo programa, meu bom senhor. Mas essa primeira parte, não poderá saltar-se? Excelentíssima madame, eu sou um escritor, não sou um fornicador. Oh, meu bom senhor, que pena. Gonçalo M. Tavares, in "Biblioteca" campo das letras, 2004

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